A mágica da Roberta!
Mineirinha de Caetanópolis, comeu pelas beiradas fiel à sua raiz, escrevendo dia e noite, compondo compulsivamente, colocando pra fora ideias e melodias. De um mar de influências, Bon Iver, Joni Mitchel, Rufus Wainwright, Beirut, Damien Rice, Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges, Legião Urbana, Marisa Monte, Zélia Duncan, Beatles, fez surgir um estilo só seu. Mais de 200 (!!!) composições, sempre com uma coisa em comum: a simplicidade que só tem quem é paixão pura, sem enquadramentos fáceis, nem de mpbs, nem de folks, nem de clubes. Não queira restringir dentro de um título a música que essa menina tira de sua cartola (no caso dela, um fiel barrete). Chame de música só. Mas música!
O mundo inteiro, de janeiro a janeiro!
Ouvir ROBERTA CAMPOS é uma experiência multi-sensorial. Coloque pra tocar e deixe rolar. Sem a menor cerimônia, um quarteto de cordas invade sua sala; com o pé na porta, os teclados de Dadi e a guitarra havaiana de Christiaan Oyens preparam a chegada de uma voz que, timidez jogada no lixo, avisa "vou varrer a lua, varrendo sua solidão". E varre até não parar mais. "Mundo Inteiro" entra na cadência de um folk-reggae mineiro declarando um amor enorme de grande, esperando o tempo que for. "A Felicidade" escancara uma simplicidade apaixonante, verdadeira raiz da magia deste álbum. "Acabou" é um final sem fim, "Sinal de Fumaça" mostra uma produção atualizada com as idéias de Bon Iver e Florence And The Machine. Em "Aqui, Ali", a poesia ganha contornos geniais: "Vou chorar. Às vezes vou sorrir de amor. Ser assim, trazer o lado bom das cores. Vou somar os restos que você deixou. Melhorar, reparando minhas dores". E no meio das confissões de amor que ela faz em "De Janeiro A Janeiro", surge a inconfundível voz de NANDO REIS: "Olhe bem no fundo dos meus olhos e sinta a emoção que nascerá quando você me olhar. Te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar". Na simplicidade de ROBERTA, "de repente o cara que cantava Marvin estava ali na minha frente, cantando a minha música". Ao que ele responde, olhos cheios d’água, para o produtor do álbum Rafael Ramos ao ouvir a gravação que acabara de fazer no estúdio: "Chegaram as águas de março".
E ROBERTA CAMPOS é exatamente assim, paixão simples, de quem assina seu nome com as formas de um violão. De quem canta o amor varrendo a lua, andando na rua. De quem aos quatro anos de idade descobriu e decidiu que sua vida seria isso, cantar, compor, emocionar. De quem é assim como você e eu, aqui e ali, tênis all-star surrado, calça jeans de outros carnavais, aquela camiseta hering que cabe como uma luva. Nos braços, o violão. Na cabeça, as notas e as rimas.
Porque é assim, simplesmente, que ela rima música com mágica! Rima sim!