A banda Nine Inch Nails e o músico Trent Reznor são conhecidos por, além de fazer boa música, se arriscarem em novos modelos de negócio. Considerados o futuro da indústria da música, desde que lançaram o álbum Year Zero , em 2007, a banda não para de inovar.
Basicamente eles inventaram a seguinte fórmula:
Conexão com os fãs (CWF) + razão para comprar (RTB) = Modelo de negócio ($$$)
Foi assim:
Antes de lançar o álbum, colocaram na internet um jogo de realidade alternativa. Nas costas da camiseta, à venda no lançamento do show, havia uma lista de nomes de cidades pelas quais a turnê passaria. Algumas dessas letras estavam em negrito e, quando colocadas lado a lado, formavam a seguinte frase: “I’m trying to believe”. Se acrescentadas de “.com” formavam o endereço para acessar o jogo online. Uma estrátegia divertida para conectar a banda aos fãs por outros meios que não fossem música.
Outra jogada foi passar algumas músicas novas para dispositivos USBs e espalhá-los pelos banheiros das casas de show onde a NIN apresentaria-se. Os fãs encontravam os pendrives e depois disseminavam as músicas pela internet.
A RIAA, Record Industry Association of America, não aprovou o fato da banda sair por aí distribuindo música grátis.
Mas mesmo assim, Trent Reznor continuava dando razões para que as pessoas comprassem os cds.
Lançou o álbum com uma nova tecnologia: ao ser colocado no player, a medida que ia esquentando, o cd mudava de cor. Uma firula que deu às pessoas algum motivo para comprá-lo, afinal, era um produto cool e exclusivo, já que um MP3 não pode mudar de cor.
Quando rompeu com o modelo de “indústria”, adotando a licença Creative Commons, a NIN continuou a usar a fórmula.
No álbum Ghosts I – IV, Trent Reznor agregou diversos tipos de benefícios ao produto, incentivando ainda mais o desejo de compra. Ofereceu pacotes com preços variados, mas não se pagava nada para baixar as 9 primeiras músicas do cd:
- Baixar o cd inteiro, com 36 músicas, custava apenas 5 dólares. De quebra, as músicas eram licenciadas pelo modelo Creative Common, que permitiu que elas fossem divulgadas por qualquer pessoa legalmente.
- 300 dólares, dava direito a uma caixa assinada pessoalmente por Trent Reznor e repleta de coisas. A edição especial esgotou suas 2500 unidades em menos de 30 horas. Era algo especial, único e ainda agregava valor à música.
Na primeira semana, eles arrecaram 1.6 milhões de dólares por músicas que estavam sendo disponibilizadas gratuitamente.
Dois meses depois, a NIN lançou o disco The Slip inteiramente de graça. O interessado simplesmente fornece o endereço de email e recebe o álbum completo com boa qualidade. No mesmo dia do lançamento, eles divulgaram a lista de cidades da turnê de 2008, assim, os fãs podiam baixar as músicas, escutá-las e imediatamente comprar os ingressos.
Ainda assim, deram mais razões para as pessoas comprarem música: colocaram à venda uma série de cds e discos de vinil numerados com versões inéditas e músicas novas.
Se você quiser saber mais sobre a estratégia do NIN, assista a palestra de Michael Masnick.
Direto ao ponto: Em um mercado tão concorrido como o da música, o que faz a diferença são os DETALHES. Ser grátis ou não, não é a principal questão. O importante é achar formas de diferenciar o seu produto e, assim, gerar uma conexão consistente com o público. Os artistas precisam criar razões para que os fãs prestem atenção e consequentemente comprem sua música.














11 de maio de 2010 at 12:06
Amigo, estou adorando seu blog, viu? Só um detalhe: RIAA (e não RIA, como no texto), não é a gravadora do NIN, mas sim a Record Industry Association of America. Foi essa instituição que não aprovou as táticas de Reznor. BTW, a gravadora do Nine Inch Nails é, e sempre foi, a Nothing Records. Bjs.
12 de maio de 2010 at 11:04
OOPS…
Obrigada pelo toque!
11 de maio de 2010 at 12:10
Ah, e eles não romperam com a gravadora, mas sim com o modelo de “indústria” da RIAA adotando a licença Creative Commons. Bjks e keep up the good work. ;]