De fã para fã – um bate-papo com os meninos que organizaram a vinda de Miike Snow ao Rio

Escrito por Melody Box. Publicado em Novidades e ranking

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De fã para fã – um bate-papo com os meninos que organizaram a vinda de Miike Snow ao Rio

Publicado em setembro 09, 2010 com 1 comentário

Está chegando, falta pouco para o show do Miike Snow, dia 20 de setembro, no Circo Voador. O grupo sueco até que é bom, mas o fuzuê todo em cima do assunto é mais por causa da ação de crowdfunding proposta pelos amigos Pedro Seiler, Bruno Natal, Tiago Lins, Felipe Continentino e Lucas Bori do que pela vinda da banda em si. Sendo assim, resolvemos bater um papo com os meninos e descobrir o que é preciso para mobilizar cariocas em nome da música independente.

1. Como surgiu a idéia de usar uma estratégia de crowdfunding para realizar o show do Miike Snow? Foi inspirada em algum modelo já existente? Se sim, qual?

Bruno Natal - Quando soubemos que mesmo com custos artísticos relativamente baixos o Miike Snow não vinha para o Rio, pensamos que era uma pena. Fazendo as contas rapidamente, percebemos que não precisávamos vender tantos ingressos assim para ao menos a conta fechar. O primeiro impulso foi procurar um patrocinador, mas esse é o caminho que todos sempre tentam e raramente tem sucesso. Todo dia todas as marcas importantes são procuradas pra bancar alguma coisa. Seríamos apenas mais um. Foi então que o Tiago Lins surgiu com a conta: se 100 pessoas pagassem 200 reais poderia ter o show só pra elas até, se fosse o caso. Soou como algo possível. Mas 200 reais não é pouco dinheiro, teríamos que convencer as pessoas a gastar isso pelo bem da cidade, pra levantar o Rio, pra não ficarmos fora de mais essa. São argumentos convincentes e genuínos, importantes mesmo. Só que pouco atrativos. Para as pessoas gastarem esse dinheiro tinha que ter algo mais. Então veio a ideia de reembolsar o dinheiro gasto por quem pagou os R$ 200.

2. No email em que propuseram a iniciativa, vocês disseram que a intenção era primeiramente mobilizar pessoas, e não ganhar dinheiro com o show. Tendo em vista a excelente repercussão da idéia, vocês acham que iniciativas de crowdfunding podem vir a ser um modelo consistente de receita em longo prazo?

Pedro Seiler - No nosso caso, não deu nem tempo de fazer um saite ou qualquer coisa elaborada, nada foi feito pensando num modelo de negócio e sim em realizar um show específico. Cada um de nós listou pessoas que acreditávamos se preocupar com a questão cultural da cidade, criamos uma conta no PayPal para receber os pagamentos feitos por cartão de crédito e disparamos o email. Não podemos esquecer que para isso tudo acontecer, não apenas estamos os cinco trabalhando de graça (e tem dado um bocado de trabalho), como o Circo Voador está arcando com vários custos que normalmente não arcaria. Ou seja, existe um custo operacional disso tudo que precisa ser pago pra poder continuar acontecendo.

3. Se essa mobilização está provando que existe público no Rio e se a desculpa sempre foi a falta dele, aonde que a conta não fecha? O que falta no Rio pra que a cidade volte a ser um destino de artistas e festivais consagrados?

Tiago Lins - Realmente produzir um show dá bastante trabalho, disso temos certeza. A conta não fecha, em muitos casos, porque o público demora a se manifestar ativamente, comprando os ingressos. Isso gera muita insegurança em quem investe para produzir, pois parece que sempre precisa o show ou qualquer outro evento se tornar “a boa da noite” de determinado dia para vingar, e isso não é decidido até bem em cima da hora. Como temos tido poucos shows e temos poucas casas de show, a cultura de ir as apresentações simplesmente para conhecer algo novo foi se perdendo. Mas público interessado existe, isso agora está provado.

4. Vocês já têm notícias de pessoas pensando em replicar essa idéia em alguma outra cidade do país? Se algum fã ou artista quiser seguir esse modelo em outras cidades, qual é o conselho que vocês dão?

Felipe Continentino - No dia seguinte ao email as nossas caixas estavam lotadas de respostas, todas positivas, de gente empolgada, até mais com a iniciativa do que com o show. Pode parecer papo de hippie, mas rolou uma energia muito boa, deu imediatamente que, do que dependesse das pessoas, iria rolar. A coisa tomou uma proporção que nem nós mesmos esperávamos. O mais legal é que a atitude das pessoas misturou o interesse pelo formato de negócio com a vontade de fazer algo pelo Rio. Isso foi importante, pois pensar a questão por apenas um dos lados não é o ideal. Precisamos encontrar esse público engajado e também oferecer algo para ele participar. Vimos no Twitter em blogues pessoas de Salvador, Recife, Belo Horizonte e Cuiabá falando em tentar fazer algo parecido. Como o Pedro disse, acho que cada lugar tem que tentar encontrar um modelo que se adapte a sua realidade. Esse modelo funcionou aqui no Rio e pode funcionar também para outros lugares.

5. Nós já falamos aqui no blog da MB sobre como os fãs têm se organizado de forma altamente profissional, dividindo tarefas entre si e definindo funções como tradutores, designers, redatores e administradores na hora de cuidar da carreira dos músicos. E pelo visto, até como produtores no caso de vocês. Você acha que daqui para frente o papel do fã é esse: ter uma voz cada vez mais ativa nas decisões desse mercado?

Lucas Bori - Sendo novos nisso tudo (com exceção do Pedro Seiler), encontramos alguns problemas no caminho. O principal deles foi em relação a data do show, que mudou duas vezes. Quando perdemos a data do dia 22, marcamos para o dia 21. Mas então, por problemas de agendamento do resto das turnês, tivemos que mudar novamente, para o dia 20. Ficamos com medo de parecer desorganizados, claro, mas a verdade é que essas trocas de datas são normais durante a produção de um show. A data final só é divulgada com o contrato assinado, quando tudo já foi resolvido. No nosso caso, como estamos fazendo tudo junto com o público, todos estão participando e vendo esse lado também. Aprendemos bastante já nesse primeiro projeto, o que é ótimo. Sabemos agora que não podemos divulgar uma data, mas sim uma janela. O público assumir essas tarefas pode ser um caminho, mas envolve uma alta dose de aprendizado e dedicação para isso tornar-se um esquema profissional auto-sustentável.

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  1. dale amo vocs

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