Biografia
Release - Ana Clara Horta
Começar a escrever sobre Órbita, primeiro álbum da cantautora Ana Clara Horta, me proporciona prazer, logo de saída. E a sensação de boas lembranças de um tempo vindouro. Explico a contradição da frase anterior : a reunião em torno dessa obra de estréia de Ana traz, em seus diversos segmentos, pessoas e amigos – dos quais falarei na devida hora- que já de saída avalizariam e lhe garantiriam o bom resultado, antes mesmo de minha primeira audição. E é essa reunião, somada ao sem dúvida belo disco, que me imprime esta sensação de satisfação, de imaginar que me orgulharei não só de ter escrito sobre ele, como de ter dividido os vocais com ela em uma das canções.
Em sua estréia primorosa, Ana se mostra uma autora de mão cheia, versátil, seja com seus diversos parceiros ou quando única responsável pelas criações. O disco é diverso, mas com unidade. As composições soam contemporâneas, mas com estofo de quem tem audição do melhor do tradicional cancioneiro nacional, tanto no que diz respeito à riqueza melódica quanto ao vigor rítmico.
Começa e acaba bom de ouvir.
Seu encontro com o produtor Mário Moura é daqueles felizes e acertados. Paciência e precisão de ambos foram ingredientes fundamentais para o resultado coerente, competente e extremamente musical, fazendo o amplo espectro dos gêneros soar coeso, afinado. Mário, que é meu amigo de longa data, multi-instrumentista de primeira linha, aqui humildemente abdica de empunhar sua maior especialidade, o contrabaixo. Ele se coloca como tutor do encontro de Ana e suas canções, com um time que reúne músicos de extrema e simples categoria : Igor Araújo , nos baixos e direção musical; Fernando Caneca, nas guitarras e violões e Pitito,nas baterias e percussões. Na melhor figura de produtor, Mário fica como sábio técnico indicando como sua equipe vai jogar e, vez por outra, se dá o direito de fazerem soar com as próprias mãos espertos timbres de percussão, afinal ele é um dos mentores e integrantes do combo Monobloco, e conhece do riscado. Essa base sólida e refinada deixa Ana livre para flanar pelas canções. Indo do vigor necessário à suavidade encantadora, Ana parece sempre estar cantando ao pé de nosso ouvido.
Quando se reúne, em todos os setores do processo que um bom disco precisa, pessoas da mais alta competência o resultado é, em geral, um belo acerto.
Ana soube se cercar ainda do extremamente competente Felipe Abreu, na preparação vocal. Mario convocou Renato Alscher para que o registro e a mixagem não deixassem escapar tudo que se anunciava num encontro de possibilidades tão preciso e precioso.
Ana Clara Horta e seu álbum de estréia, Órbita, trazem um belo sopro de qualidade e tornam o universo musical brasileiro ainda mais vasto. Sejam bem-vindos!
Pedro Luís